quarta-feira, 30 de novembro de 2022

EL CADEJO

 QUEM É O CADEJO?

Na maioria das versões centro-americanas, fala-se em dois cadejos. assim como Siguanaba e La Llorona , vive na América Latina, descrito como um cachorro enorme de olhos vermelhos.

Na América Central, sem contar o Panamá e a Costa Rica, fala-se em dois cadejos: o primeiro é branco e o outro é negro. O primeiro é um espírito benigno que protege as pessoas dos perigos da noite, e o segundo, de cor preta, é o oposto completo; ou seja, ataca as pessoas que vê em seu caminho.
Dizem também que se a pessoa for má, o Cadejo Branco não o defenderá, deixando-o andar sozinho no escuro da noite até dar de cara com o Preto,que é capaz de assassiná-lo.
Diz a lenda que, além disso, na Guatemala existe um terceiro cadejo: o cadejo cinza.
Há também versões em que indicam que os dois cadejos, branco e negro, ao se encontrarem cara a cara, começam a brigar brutalmente. E quem sempre ganha é o branco, enquanto o preto é quem perde.
No México, Costa Rica, Panamá e Argentina, por outro lado, geralmente se acredita apenas em preto, um enorme cachorro preto que, dependendo das versões, é bom ou ruim. Algumas versões o relacionam com o demônio e a feitiçaria, já que, em lugares como México e Panamá, dizem que é o próprio demônio. No México dizem que são bruxas que se transformam neste ser.
As origens do Cadejo vêm da Mesoamérica, junto com a crença cristã de que todos nós temos um anjo da guarda para nos proteger, bem como a crença indígena maia de um espírito animal protetor que uma pessoa adquire ao nascer.

O CADEJO VEM DA MITOLOGIA MESOAMERICANA.

Na mitologia mesoamericana havia uma crença nos nahual , que eram espíritos-animais que protegiam as pessoas. Segundo essa crença, cada pessoa, no momento do nascimento, já tinha um nahual que o guiava e protegia. Já no México, os feiticeiros ou pessoas que possuem a habilidade de se transformar em animal são chamados de "nahual", cujo termo deriva de nahualli, que significa "escondido" ou "o que faz parte da minha pele".
Ao mesmo tempo, e também no México e na América Central, acreditava-se que o xoloitzcuintle, uma espécie de cachorro, acompanhava as almas dos mortos em seu trânsito por Mictlán ou submundo. Ele também está associado ao deus Xolotl, uma divindade na forma de um homem com cabeça de cachorro; e com Huehuecoyotl, uma divindade na forma de uma raposa antropomórfica da música, que pode ser tanto boa quanto má.
Quando os espanhóis chegaram à América, trouxeram consigo muitas lendas europeias sobre cães fantasmas, especialmente cães pretos. Mas também trouxeram o cristianismo, com sua crença nos anjos da guarda e nos demônios como seres que freqüentemente espreitam os seres humanos, aproximando-se especialmente daqueles que estavam mais afastados da graça de Deus e que, devido ao seu comportamento pecaminoso, eram mais propensos a serem abandonados por seus anjos da guarda. .
Acontece que, no processo de colonização, ambas as crenças se fundiram, e muitos mitos foram criados, como a lenda dos cadejos; que, como bem se percebe, mistura elementos de cada uma das crenças acima mencionadas, tanto do lado europeu quanto do lado nativo. Por isso, o branco e o negro cadejo lutam interminavelmente como anjos contra demônios, e como os deuses Quetzacóatl e Tezcatlipoca.

Significado de "cadejo"

Quanto ao seu significado, observa-se a dualidade do Cadejo como um espírito protetor e, ao mesmo tempo, uma criatura do mal. Na sua vertente negativa, o Cadejo usurpa a confiança dos seres humanos através do terror, enquanto na sua faceta positiva, o poder regenerador da natureza ao proteger os seres humanos do perigo.

Por fim, cadejos, como palavra perfeitamente espanhola, parece estar mais relacionada ao significado enigmático do próprio personagem do que à origem ou forma desse ser sobrenatural; que significa "embaraçado". Versões da lenda em diferentes países. Cada país tem uma versão da lenda do Cadejo, seja na Europa ou na América, onde a lenda é muito válida e cada um a conta à sua maneira, mas todos concordam no mesmo facto.


EM EL SALVADOR

Em El Salvador, a origem exata do Cadejo não é conhecida, no entanto, acredita-se que seja uma criação de Deus e Satanás. A lenda salvadorenha conta que Deus, ao ver os males que afligiam o povo, decidiu criar uma criatura que causaria medo, mas ainda assim o protegeria. Isto é, o Cadejo Blanco. O Diabo, irritado com a ação de Deus, fez uma cópia idêntica, mas em preto, para competir e estragar os planos de Deus. Diz a lenda que o Cadejo Blanco cuida das pessoas que saem de casa tarde da noite, protegendo-as dos maus perigos, principalmente do negro. Mas se essa pessoa for má, então o Cadejo Branco não vai defendê-lo e vai deixar que o Preto o mate. As pretas, por outro lado, atacarão quem cruzar seu caminho. Diz-se que quando os dois cadejos se encontram,

EM HONDURAS

Em Honduras, eles acreditam nos dois cadejos: o branco, que protege os bons, e o negro, que ataca os maus e os bons. Segundo a história, o cadejo negro aparece às 12h; mas, quando ataca, só consegue matar gente má, já que gente boa tem a proteção do cadejo branco.

NA GUATEMALA
Neste país, o cadejo é um cão grande e fantasmagórico, de cor preta ou branca e olhos como brasas. Este ser cuida daqueles que se embriagam, quando tentam voltar para casa ou dormir na rua, então os segue ou dorme perto deles para evitar que sejam assaltados ou agredidos. Mas o acima é apenas uma crença específica, pois em geral existe alguma ambiguidade quanto às cores do cadejo e sua atitude:
Por um lado, acredita-se que o branco é bom e o preto é mau, e que o branco segue seus protegidos para cuidar deles do preto; mas, quando aparece um terceiro espírito como La Llorona ou La Siguanaba, ou simplesmente quando aparece um bandido perigoso, os dois cadejos se unem para proteger a pessoa... Enquanto isso, por outro lado, acredita-se que o homem branco cuida das mulheres e crianças, e o negro cuida dos homens.
Por fim, aumentando a diversidade das crenças guatemaltecas sobre o cadejo, acredita-se que se ele (em sua versão negra) conseguir lamber a boca de alguém, o seguirá por nove dias causando medo (sem atacar); e, se a pessoa lambida for alcoólatra, jamais conseguirá largar o vício...

NICARÁGUA

Na Nicarágua, acredita-se que o cadejo blanco (um cachorro grande e fantasmagórico com olhos vermelhos) guarda os homens noturnos, seguindo-os de perto até que cheguem a suas casas e estejam seguros. Em contrapartida, o cadejo negro, que na versão nicaraguense tem colarinho branco, está sempre perambulando à noite, à espreita dos noctívagos, sobre os quais se lançará, para golpeá-los (embora nunca os morda), bater sem sentido, e em estado de gagueira, embotamento e idiotice, que mais tarde leva à morte...
Como se vê, o cadejo negro nicaragüense, embora não morda suas vítimas humanas, é em última instância um assassino; embora, para o contrariar, haja o cadejo branco -falamos genericamente, na realidade são "os cadejos brancos" e "os cadejos negros"-, que lutarão ferozmente com ele, derrotando-o sempre. No entanto, a lenda nicaraguense adverte que o cadejo branco não deve ser desprezado: deve ser bem tratado, pois se for atirado pedras ou tentar afugentá-lo com gritos ou de qualquer outra forma, agirá como o cadejo negro. e a pessoa finalmente acabará morta ou, como diriam na Nicarágua, “interpretada pelo Cadejo”.
Por fim, entre os índios nicaragüenses de Monimbó, conta-se que os olhos dos cadejos "parecem velas", e que nunca se cansam de caminhar, por isso passam a noite inteira se movimentando, até que o sol surge no horizonte e então , em vez de morrerem como vampiros, desaparecem como os espectros que são.

PANAMÁ
No Panamá, a lenda é um tanto conhecida no país; é contado principalmente na fronteira norte. É descrito como um enorme cachorro preto com olhos vermelhos. Em geral, exala um forte cheiro de enxofre. Segundo a lenda, é a própria manifestação do diabo. Sempre aparece à meia-noite. De preferência, só sai para mulherengo ou bêbado que sai para farra ou em bares. Existem formas de ataque, pois a esta entidade costumam ser atribuídos poderes muito maléficos. Uma versão indica que os devora, outras, que leva sua alma ou, em outras versões mais extremas, arrasta você diretamente para o próprio inferno. Além disso, diz-se que, apesar de ser uma manifestação demoníaca, às vezes é considerado um protetor. Já que ele cuida desse tipo de pessoa até que cheguem sãos e salvos em casa.

MÉXICO

Nos Estados Unidos Mexicanos esta lenda também é conhecida, como em Oaxaca, Chiapas, Baja California, Veracruz e outros lugares. Dizem que o Cadejo é um cão grande, preto, de olhos vermelhos e coberto de correntes (também podem ser várias, não é uma entidade única). Dizem que ele aparece à noite, e quando o Cadejo revela sua presença, os cachorros gritam como se o próprio diabo estivesse chegando; E diz-se que devora os cachorros de cães (ou também de qualquer cão) que estejam a atrapalhar o seu caminho, pelo que é aconselhável que escondam os cães caso se suspeite da sua presença ou proximidade. Mas dizem que podemos fazer amizade com ele: consiste em caminhar com os pés juntos (por mais difícil que seja para nós) e, se ele se aproximar, cuspir na palma da nossa mão e oferecer-lhe um cuspe, e isso faz com que ele nos leve com ele ou cuide de nós. Ele também tem seu lado benevolente, cuidando de todas as pessoas (embora na maioria das versões ele seja geralmente mau). Outra forma de se salvar ou se proteger dessa entidade é colocar a roupa do avesso, depois colocar a urina em um cinto e chicoteá-la, fazendo-a sair.
Sobre sua origem e um dos primeiros cadejos, diz-se que foi um jovem ou libertino que foi condenado por seu pai a se tornar uma alma perdida coberta de correntes. Embora também haja outra versão que conta que ele queria assustar seu pai bêbado como punição por seu mau comportamento, mas ele falhou e seu pai o sentenciou a cuidar e proteger todas as pessoas (incluindo bêbados como ele). Daí vem e se origina a crença sobre pessoas que foram amaldiçoadas -por qualquer um- e transformadas em cadejos.
Existem também os "cadejos-brujos" (também conhecidos como nahuales) que são bruxas que, por meio de um feitiço, podem se transformar em cadejo. E aproveitam esse estado para cometer delitos como matar galinhas, matar outros bichos, destruir coisas, assustar, espreitar mulheres, roubar (tirar com a boca) ou, principalmente na lua, esperar em locais de pouco trânsito e para um indivíduo passar e eu fiquei apavorado com aquele cachorro e seus olhos diabólicos. Diz-se que esses feiticeiros podem se transformar às 12:00 da noite sob uma ceiba ou pochota, pois na simbologia maia o Yaxché (a ceiba) era uma ponte ou uma conexão entre o céu, a terra e o submundo. Também pode ser transformada fazendo um pacto com o Diabo. Existem também cadejos que nunca foram humanos, criados por Satanás.
Outra variação do mito Cadejo é o Uay Peek da península de Yucatán, que é uma das criaturas míticas mais temidas. Diz-se que o Uay Peek é um feiticeiro que pode se transformar em um enorme cachorro preto de olhos vermelhos, e se aproveita desse estado para assustar as pessoas e profanar sepulturas em cemitérios. Outras versões dizem que o Uay Peek ataca qualquer pessoa que encontra e que é a reencarnação de Kakasbal, um espírito maligno.
Em Oaxaca também acreditam em dois cachorros, um branco e outro preto; Criado por Deus e Lúcifer. Assim como na América Central, esses dois são rivais e o Cadejo Blanco é bom e o Cadejo Negro é ruim. Da mesma forma, em alguns lugares do México, diz-se que quando uma pessoa morre, ela volta para cuidar de seus entes queridos na forma de um cachorro branco. No estado de Chiapas, os camponeses dizem que o Cadejo também coopera com Tishanila para punir quem erra.

NA  COSTA RICA
De um modo geral, na Costa Rica, acredita-se que o cadejo seja um enorme cachorro preto fantasmagórico, com correntes, olhos vermelhos brilhantes, cauda longa e espessa e, segundo alguns, pés de cabra e dentes de onça. Mas, apesar de sua aparência, esse ser cuida dos bêbados quando voltam para casa, e afugenta (sem agredir) crianças desobedientes ou que estão fora de casa em horários inoportunos (à noite).
Uma certa versão costa-riquenha da lenda conta que há muito tempo atrás, em uma pequena comunidade, havia um padre que, usando sua autoridade moral e eloqüência, distorcia o senso religioso e moral da comunidade, levando-a ao pecado. Como punição por seu erro, Deus o sentenciou por cem anos (trezentos segundo alguns) a ter a forma de um enorme cachorro preto com olhos vermelhos. Quando seu tormento finalmente acabou, o homem ficou transtornado e não aguentou a vida, então se jogou na cratera do vulcão Poás, mas não morreu da forma que esperava, mas seu espírito ficou preso dentro do vulcão, no meio do magma, dos vapores e das rochas, como se fosse o seu próprio inferno pessoal. Por isso, acredita-se que é ele quem provoca os tremores do vulcão.
Outra versão costa-riquenha fala de um bêbado que gastava quase todo o seu dinheiro com bebida e maltratava a família, principalmente a esposa. O filho mais velho do bêbado era muito esperto e cansado do comportamento nocivo do pai, então elaborou um plano para puni-lo. O plano consistia em se disfarçar de monstro em couro preto e aparecer para ele à noite, quando voltasse muito tarde embriagado. Na primeira noite, o susto foi tanto que o bêbado quase teve um infarto, e como já foi aventado, não foi a única vez, pois seu filho continuou a amedrontá-lo até que, um dia, ele se enfureceu e reuniu coragem pegar um facão e desmembrar o que quer que fosse que lhe aparecesse à noite... Então, naquela noite, como todas as outras, o "monstro" apareceu para ele e ele pegou seu facão e deu o bote, mas a criatura recuou para evitar o golpe e algo inesperado saiu dela: a voz de seu filho mais velho... "Pai, não me mate, sou seu filho, foi só uma brincadeira!", exclamou. , ao que ele respondeu xingando-o: "Você andará sobre quatro patas a vida toda!" Segundo a história, quando o jovem morreu, ele se transformou em um enorme e espectral cachorro preto, que persegue bêbados como seu pai, mas não os faz mal.
Por fim, a terceira versão costarriquenha conta que havia um filho mais novo (um “benjamín” ou “cumiche”) que vivia na libertinagem e no desperdício, pelo que foi amaldiçoado pelo pai e tornou-se cadejo.

"EL CADEJO", CÃO DE GUARDA DE BÊBADOS NA CIDADE DA GUATEMALA

A lenda do cadejo, ainda no século XXI, é contada pelos velhos na Cidade da Guatemala. Os avós e bisavós nomeiam assim um espectro na forma de um cão que cuidava e acompanhava os bêbados, ou que aparecia em pessoas desgarradas, no seu último transe para o inferno. Ou seja, como dizem agora os jovens, existem dois “Cadejos” , um bom e outro mau, pois dependendo do comportamento do discípulo de Baco, ao “bolus”  é atribuída a sua companhia espiritual. Vale ressaltar que existem bolos bons e ruins , como os cadejos.

A origem deste ser é incerta e pode muito bem ser, originalmente, um "nahual" ou espírito guardião, como concebido pelos povos originários da América, que filtraram alguns elementos mitológicos na cultura latino-americana atual através da sincretização de seus ícones com os da cultura ocidental durante a colônia. Quando os indígenas se mudaram para as cidades e uma vez expirado o regime que os confinava a determinados povoados indígenas, trouxeram consigo os seres que habitavam sua constelação icônica, seu panteão cósmico, e preencheram o vazio que para eles era uma cidade mundo cada vez mais alienado da natureza, com presenças vindas de sua visão de mundo, nunca divorciado ou exclusivo da selva, das árvores e dos animais.
Nos tempos modernos, é possível conhecer e entender a raiz da lenda do cadejo na Guatemala, pois esse conjunto de conhecimentos tradicionais foi resgatado ao mesmo tempo em que se reconhece a validade do uso de sua língua, seus costumes e seu calendário. Desta forma, perpetua-se um legado que a sangrenta invasão espanhola manteve oculto; “underground” sob o manto da exclusão difundido pela visão de mundo imposta pelos conquistadores e pelos primeiros governos independentes desde 1821. Durante três séculos de colônia, as crenças fantásticas dos nativos foram encobertas e obrigadas a ficar à margem, em total isolamento da vida pública. Assim, amadureceu um imaginário em que não existia a divisão binária e nítida que se fazia entre espíritos guardiões, almas mortas e seres fantásticos, entidades demoníacas.
O primeiro “ cadejo ” provém da obra de um dos maiores e mais conceituados escritores , Miguel Ángel Asturias (1899-1974), que o deu a conhecer ao mundo no século XX. Certamente, esse ser ganhou vida em suas letras ao transcrever as histórias que, na casa de sua mãe, no bairro de La Candelaria, na capital, eram contadas por almocreves, carvoeiros, leiteiros e madeireiros. Foi desses personagens que ele tirou o material básico para muitos dos escritos que lhe deram fama universal quando suas obras foram traduzidas para vários idiomas. Astúrias fizeram do cadejo o personagem central de uma de suas Lendas da Guatemala, obra mundialmente conhecida, onde descreveu essa criatura como uma cria demoníaca, uma espécie de quimera com corpo de cachorro, cascos de bode, orelhas de coelho e cara de morcego.
Essa singular conformação morfológica traz elementos de “T'zi” (“Cão” ou, mais precisamente, “Coiote”) e “Aq'ab'al” (cujos animais representativos são a arara e o morcego), dois dos vinte regentes ou "nahuales" do calendário maia, Tzolkin, na contagem curta, que dura 260 dias. Coincidentemente, ambos os ícones estão associados à noite e à escuridão, tanto entre os maias quanto entre os colonizadores europeus. Segundo Astúrias, além de cuidar de bêbados (em sua iteração como alvo), o cadejo também afugentava e perseguia amantes, jovens teimosos —e não tão jovens— que passavam a noite ao relento para recitar poemas ou fazer serenata. seus pretendentes (em sua versão negra).
Tais narrações são baseadas em depoimentos orais de membros falecidos do grupo que descreveram a presença desse ser, que se apresentava à noite sob a figura de um cachorro que realizava proezas típicas de Lazie ou Rintintin. Por exemplo, se era branco ou "bonzinho", acordar com puxões e mordidas um alcoólatra adormecido na linha do trem, avisando-o, à sua maneira, da proximidade de uma locomotiva; ou arrastar um sem-teto por uma rua deserta com enorme energia, se ele aparecesse na forma de um cachorro preto com olhos queimando como brasas, exalando um cheiro penetrante de enxofre e antecipando a proximidade do inferno.
Inevitavelmente, esse “código” que permitia identificar sua natureza benevolente ou maligna, bem como seu papel de guardião dos bêbados, reproduzia a binaridade cromática dominante na Europa Ocidental, que foi transplantada para a América através do catolicismo espanhol, com sua grande influência .medievais, e contribuiu para a formação de ícones resultantes do sincretismo e da miscigenação cultural. Se assim for, "El cadejo" é mestiço como "La llorona" e "El duende" e tantos outros seres que povoam o imaginário popular guatemalteco, centro-americano e latino-americano.
Porque atualmente é correto ser cético, depois de mais de um século de hegemonia ideológica positivista e do oficialismo do secularismo, é comum pensar que "El cadejo", como muitas outras lendas, se reduz a "histórias puras" ou " contos de idade (os)". Isso é consequência da imposição de critérios emanados da ciência à tradição católica em que fantasmas e seres mágicos habitavam as noites cheias de devoção e temor reverente do desconhecido, alimentadas pela escuridão.
Certamente, "El cadejo" das Astúrias é um ser fantasmagórico e assustador. Por isso, sua figura foi inevitavelmente refinada à medida que a cidade entrava em processo de modernização e a luz elétrica invadia a escuridão que reinava anteriormente. e se tornou um "cachorro vadio". Mais um dos milhares que vagam pelas ruas e avenidas, abandonados à própria sorte, como acontece com tantas crianças, camponeses e camponesas que migram para a cidade sem dinheiro, sem abrigo e sem conhecer ninguém. É fácil compreender que nesta metamorfose, a figura do "el cadejo" perdeu os capacetes de cabra, as orelhas de coelho e a cara de morcego com que as Astúrias o retratariam ao apresentá-lo ao mundo.
Atualmente, continua sendo representado nas cores preto e branco; guardando bêbados e ocasionalmente como uma aparição fantasmagórica quando alguém vai morrer sem que sua alma vá para o céu ou purgatório. Quando este é o caso, costuma-se dizer que "o Diabo os leva", embora, claro, primeiro "o cadejo os leve".
Apesar da modernização e do crescimento descontrolado das cidades que resultaram na presença constante de iluminação pública durante toda a noite, o ser humano reluta em deixar de lado os seres do passado e esquecê-los completamente. Nem a luz elétrica nem as invenções dela derivadas (rádio, televisão, computador, celular etc.), erroneamente consideradas sinais de superação de um " atraso " do passado, podem impedir que esses seres continuem vivos. imaginação de quem ouviu essas histórias de seus avós ou leu livros como as Lendas da Guatemaladas Astúrias. Mesmo nas cidades, o ser humano tende a se divertir, a reproduzir “lendas urbanas” —categoria norte-americana assumida pela imitação—. No entanto, permanece a dúvida se o mito do "el cadejo" de outrora ainda existirá entre eles





segunda-feira, 21 de novembro de 2022

CROATOAN

 CROATOAN

A história do primeiro e maior mistério da América do Norte começou com as raízes dos povos: a colonização. Em meados de 1583, o explorador Walter Raleigh recebeu da Rainha Elizabeth I a carta que ela teria dado ao seu meio-irmão em 1578 e que dava plenos poderes para colonizar os territórios não reclamados pelos reinos cristãos.
Dividindo a nota com o irmão Adrian Gilbert, Raleigh acabou ficando com a patente de exploração das terras ao sul da Terra Nova, ainda que boa parte já tivesse sido reivindicada pela Espanha. No entanto, as diretrizes da carta, emitida em 25 de março de 1584, esclareciam que o homem precisava estabelecer um núcleo de povoamento até 1591 ou perderia o direito à colonização. Como Raleigh foi impedido de tomar o comando da expedição por ser o novo "queridinho" da rainha, delegou as missões aos seus associados.
O artista e cartógrafo John White foi encarregado de liderar a segunda expedição, visto que a primeira não tinha encontrado um território bom o suficiente para se tornar um "novo Éden". Em 1587, visando à liberdade religiosa e à oportunidade econômica, 118 colonos ingleses com famílias inteiras embarcaram em navios com destino à costa da Ilha de Roanoke, na Carolina do Norte. Após aportar, White deveria instalar a colônia na baía de Chesapeake, ao norte, onde teria fontes de cobre, ouro e prata nas montanhas; porém ele não fez isso — e não se sabe o motivo.
Os navios expedicionários Tiger, Grenville e Roebuck chegaram no verão daquele mesmo ano e foram bem acolhidos pelos nativos americanos. Durante a ancoragem do Tiger houve um acidente que resultou na perda de boa parte das provisões da colônia, então assim que tarefas foram designadas e todo o assentamento foi erguido, ficou claro que White precisaria voltar para trazer mais mantimentos para a sobrevivência de todos.
Antes de partir, o explorador testemunhou o nascimento da primeira criança inglesa no Novo Mundo, sua neta, Virginia Dare, e o batismo de Manteo, um líder nativo, como Lorde de Roanoke. Os eventos simbolizaram o início de uma estrutura colonial.
    CROATOAN, A MARCA PERDIDA
Em 8 de setembro de 1587, apenas 11 colonos voltaram para a Inglaterra com White no navio Roebuck. Eles chegaram quando a Guerra Anglo-Espanhola estava em seu apogeu, o que acabou atrasando o retorno de White para Roanoke, já que a rainha queria todos os navios disponíveis para o confronto.
Foi apenas em 18 de agosto de 1590, 3 anos depois, que o explorador conseguiu voltar à colônia. Para a surpresa de White, Roanoke estava desolada. Não havia sinais de que um dia tivesse existido um assentamento no local nem havia vestígio de confrontos. Os navios tinham desaparecido com os colonos, assim como os nativos e qualquer rastro de vida humana.
Aproximando-se de uma árvore, White encontrou a única pista: a palavra Croatoan entalhada na madeira. Esse nome se referia a uma ilha ao sul de Roanoke, conhecida por ser o local de origem da tribo do líder Manteo. Os exploradores tentaram chegar lá, porém intempéries teimaram em lançá-los sempre para o norte e eles acabaram voltando para a Inglaterra. 
Nenhum navio foi enviado para Croatoan e White nunca descobriu se a esposa, a filha e neta estavam vivas ou mortas.
    ROANOKE, A LENDA
Para algo que deveria ser apenas um incidente histórico, os séculos cuidaram de estabelecer um caráter lendário para o já misterioso acontecimento, além de uma "aura conspiratória". As ideias se dividem.
De um lado, com base nos estudos, historiadores acreditam que a colônia esgotou as provisões, por isso optou por tentar navegar de volta à Inglaterra e acabou se perdendo em alto-mar ou encontrou o fim nas mãos dos espanhóis em meio à guerra. Além disso, trabalham com a possibilidade de que os ingleses foram vítimas de tribos invasoras e acabaram aprisionados e assassinados. Os colonos também poderiam ter sido afetados por uma doença para a qual não tinham imunidade.
Por outro lado, a ideia sugere um envolvimento de forças ocultas. Esse viés foi impulsionado pela palavra Croatoan e o estranho fato de ter sido o único resquício da colônia. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o termo reapareceu em contextos obscuros. Na primeira vez, saiu da boca de Edgar Allan Poe, que a sussurrou antes de morrer depois de ter desaparecido. Em seguida, foi encontrada no verso do último trabalho do satirista Ambrose Bierce, que logo desapareceu, em 1913. A palavra esteve também no jornal que reportava o sumiço insólito de Amelia Earhart, em 1937.
É impossível negar que o termo tenha sido mistificado devido às circunstâncias de seu descobrimento. A maior conspiração, porém, é de que exista um cunho religioso e ancestral nele, então os ingleses teriam sucumbido aos rituais ou à prática de bruxaria. Em 1937, um turista entregou ao departamento de História da Universidade de Emory, em Atlanta, uma pedra que encontrou em um pântano enquanto viajava pela Carolina do Norte. Nela, havia os escritos: "Ananias Dare & Virginia foram para o céu 1590. Anye Shew. John White Govr Via". Do outro lado havia uma mensagem descrevendo os 2 anos de sofrimento da colônia de Roanoke devido a doenças, guerras e ritos. Foi assinada com as siglas EWD, possivelmente de Eleanor White Dare, irmã de John White.
A autenticidade do artefato só foi confirmada em 2016, quando o geologista Ed Schrader cortou uma ponta da pedra e descobriu que o interior era branco brilhante, em contraste com a superfície marrom. Esse escurecimento leva séculos para acontecer, e em 1930 não havia produtos químicos para forjar a coloração.
Ainda é necessária uma investigação geoquímica, mas, sem sombra de dúvidas, a pedra se tornou um dos artefatos mais valiosos do início do período norte-americano. Apesar da explicação de Eleanor, o mistério do que aconteceu em Roanoke apenas foi propelido para um novo frenesi.
Antes da partida de White, os índios Croatoan visitaram a ilha de Roanoke e convidaram os colonos a morarem com eles. Os colonos aceitaram a proposta e disseram a white. Então combinaram o seguinte: se eles tivessem de partir escreveriam a palavra CROATOAN em uma árvore e se por acaso, a partida fosse feita sob condições hostis e adversas, escreveriam uma cruz acima de CROATOAN (portanto, não há nada de misterioso nessa palavra, mas com certeza a venda de livros aumenta se semear o mistério). Mas vejam a seguir o que é a lenda de Croatoan.
A lenda de Croatoan começa com as tentativas de se estabelecer uma colônia em terras americanas.
Os ingleses precisavam fundar assentamentos se quisessem manter a posse sobre essas terras. Mas pense o quanto isso era difícil, se hoje tudo em matéria de informação e viagens é uma coisa rápida, nesse séculos as viagens demoravam meses. E para voltar a um determinado local poderia se levar meses, anos, e imagine se houvesse uma guerra ou piratas atrapalhando.
Os ingleses, para demarcar território, mandaram colonos para o Novo Mundo. Esse primeiroassentamento inglês era composto apenas por homens. Nada de mulheres ou crianças.  Eles ficaram lá por algum tempo, mas devido à falta de condições e depois de enfrentar vários invernos rigorosos, eles resolveram voltar para a Inglaterra, abandonando o local. O capitão Francis Drake , que estava passando pelo Novo Mundo, deu uma carona para eles em seu navio.
Mas os ingleses não desistiram. Em 26 de abril de 1587 dois barcos partiram, um com colonos e outro com suprimentos. Dessa vez, eles levaram mulheres e crianças porque eles realmente queriam estabelecer uma colônia permanente. Eles chegaram lá e reconstruíram as casas que foram deixadas pelos antigos colonos e que já estavam tomadas pelo mato.
Nesse meio tempo, no dia 18 de agosto, nasce a neta do governador, Virginia Dare , a primeira criança a nascer em solo americano. Na verdade seria a primeira criança americana de origem inglesa, e nem poderíamos dizer que seria a primeira de descendência européia porque os vikings já haviam estado no Novo Mundo.
Após alguns dias, mais precisamente no dia 27 de agosto, o governador John White voltou à Inglaterra a pedido dos colonos, pois eles queriam que eleintercedesse pela colônia, buscando ajuda e suprimentos. Mesmo relutante, talvez em abandonar a filha e neta, ele partiu.
Mas quando chegou na Grã Bretanha eles não pode mais voltar, os ingleses tinham sido atacados pela “Armada Invencível” do rei Felipe II da Espanha e a guerra impediu qualquer tentativa de voltar ao Novo Mundo.
Muitos anos depois, ele retornou em 1.590, a única coisa que ele encontrou foi a cidade vazia, totalmente tomada pelo mato, coisas espalhadas pelo chão. Ninguém. Nem corpos, nem sangue. Nada. Somente uma palavra escrita em um tronco de árvore, “Croatoan”. 
O estranho desaparecimento e a palavra Croatoan deram origem à muitas e muitas lendas. No imaginário norte-americano eles foram todos abduzidos ou levados por alguma coisa e com certeza seria uma coisa maligna. Durante os 15 em que eles permaneceram no lugar, diz no livro que eles ouviram muitas coisas estranha na cidade, vozes, gritos e até assobios no meio da floresta… e nada além disso se sabe.
DEMÔNIO ÍNDIGENA
A palavra Croatoan é ligada muitas vezes a croaton, um tipo de demônio indígena. Mas não pude ver mais detalhes porque a única coisa que encontrei na internet foi “Buffalo child (Croaton) Curse on Arrowhead” algo a ver com búfalo e ponta de flecha. Nada mais


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O SAMHAIN

 O SAMHAIN
O Samhain (pronuncia-se “sou-en”), também chamado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita, é o mais importante dos oito Sabbats dos Bruxos. Como Halloween, é um dos mais conhecidos de todos os Sabbats fora da comunidade wiccana e o mais mal-interpretado e temido.
Samhain celebra o final do Verão, governado pela Deusa. (O nome Samhain significa “Final do Verão”.)
Samhain é também o antigo Ano Novo celta / druida, o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. é o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. A noite de Samhain é o momento ideal para fazer contato e receber mensagens do mundo dos espíritos.A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos (1º de novembro), que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão.

O Dia dos Mortos (que cai a 2 de novembro) é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos. é observado pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório.

Em várias regiões da Inglaterra acredita-se que os fantasmas de todas as pessoas destinadas a morrer naquele ano podem ser vistos andando entre as sepulturas à meia-noite de Samhain. Pensava-se que alguns fantasmas tinham natureza má e, para proteção, faziam-se lanternas de abóboras com faces horrendas e iluminadas, que eram carregadas como lanternas para afastar os espíritos malévolos. Na Escócia, as tradicionais lanternas Hallows eram esculpidas em nabos.
Um antigo costume de Samhain na Bélgica era o preparo de “Bolos para os Mortos” especiais (bolos ou bolinhos brancos e pequenos). Comia-se um bolo para cada espírito de acordo com a crença de que quanto mais bolos alguém comesse, mais os mortos o abençoariam.
Outro antigo costume de Samhain era acender um fogo no forno de casa, que deveria queimar continuamente até o primeiro dia da Primavera seguinte. Eram também acesas, ao pôr-do-sol, grandes fogueiras no cume dos morros em honra aos antigos deuses e deusas, e para guiar as almas dos mortos aos seus parentes

Era no Samhain que os druidas marcavam o seu gado e acasalavam as ovelhas para a Primavera seguinte. O excesso da criação era sacrificado às deidades da fertilidade, e queimavam-se efígies de vime de pessoas e cavalos, como oferendas sacrificiais. Diz-se que acender uma vela de cor laranja à meia-noite no Samhain e deixá-la queimar até o nascer do sol traz boa sorte; entretanto, de acordo com uma lenda antiga, a má sorte cairá sobre todo aquele que fizer pão nesse dia ou viajar após o pôr-do-sol.

As artes divinatórias, como a observação de bola de cristal e o jogo de runas, na noite mágica de Samhain, são tradições wiccanas, assim como ficar diante de um espelho e fazer um pedido secreto.
Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat Samhain são maçãs, tortas de abóbora, avelãs, Bolos para os Mortos, milho, sonhos e bolos de amoras silvestres, cerveja, sidra e chás de ervas.
Incensos: maçã, heliotropo, menta, noz-moscada e sálvia.
Cores das velas: preta, laranja.
Pedras preciosas sagradas: todas as pedras negras, especialmente azeviche, obsidiana e ônix.
Ervas ritualísticas tradicionais: bolotas, giesta, maçãs beladona, dictamo, fetos, linho, fumária, urze, verbasco, folhas do carvalho, abóboras, sálvia e palha.
Ritual do Sabbat Samhain
Em muitas tradições wiccanas, é costume o Bruxo jejuar um dia inteiro antes de realizar o Ritual do Sabbat Samhain.
Após o banho ritual com água salgada para limpar seu corpo e sua alma de todas as impurezas e energias negativas, coloque uma veste cerimonial longa e preta (a menos que prefira trabalhar sem roupa, como fazem muitos Bruxos), use um colar de bolotas feito a mão em torno do pescoço e coloque uma coroa de folhas de carvalho na cabeça.
Comece traçando um círculo de 3m de diâmetro, usando giz ou tinta branca. Coloque 13 velas pretas e cor de laranja em torno do círculo e à medida que for acendendo cada uma diga: VELA SAMHAIN DO FOGO TÃO BRILHANTE CONSAGRE ESTE CÍRCULO DE LUZ.
No centro do círculo erga um altar voltado para o norte. No centro do altar, coloque três velas (uma branca, uma vermelha e uma preta) para representar, cada uma, uma fase da Deusa Tripla. à esquerda (oeste) das velas, coloque um cálice com sidra e um prato contendo sal marinho. à direita (leste) das velas, coloque um incensório com incenso de ervas e uma pequena tigela com água. Diante das velas (sul), coloque um sino de altar de latão, um punhal consagrado e uma maçã vermelha. Faça soar três vezes o sino do altar e diga: SOB O NOME SAGRADO DA DEUSA E SOB A SUA PROTEÇÃO, INICIA-SE AGORA ESTE RITUAL DO SABBAT.

Salpique um pouco de sal e água em cada ponto da circunferência em torno do círculo para limpar o espaço de qualquer negatividade ou influência maligna. Pegue o punhal com a mão direita e diga: OUÇAM BEM, ELEMENTOS, AR, FOGO, ÁGUA E TERRA. PELO SINO E PELA LÂMINA EU VOS CONVOCO NESTA SAGRADA NOITE DE ALEGRIA.

Mergulhe a lâmina do punhal no cálice com a sidra e diga: EU TE OFEREÇO, OH, DEUSA, ESTE NÉCTAR DA ESTAÇÃO.
Coloque o punhal de volta no altar. Acenda o incenso e as três velas do altar e diga: TRÊS VELAS EU ACENDO EM TUA HONRA, OH, DEUSA: BRANCA PARA A VIRGEM, VERMELHA PARA A MÃE, PRETA PARA A ANCIÃ. OH DEUSA DE TODAS AS COISAS SELVAGENS E LIVRES, A TI ERGO ESTE TEMPLO SAGRADO EM PERFEITA CONFIANÇA.
Pegue o cálice com ambas as mãos e derrame algumas gotas da sidra sobre a maçã, dizendo: AO VENTRE DA DEUSA MÃE RETORNA AGORA O DEUS, ATÉ O DIA EM QUE NOVAMENTE RENASCERÁ. A GRANDE RODA SOLAR GIRA MAIS UMA VEZ. O CICLO DAS ESTAÇÕES NÃO TERMINA NUNCA. ABENÇOADAS SEJAM AS ALMAS DAQUELES QUE VIAJARAM ALÉM PARA O MUNDO ESCURO DOS MORTOS. EU DERRAMO ESTE NéCTAR EM HONRA À SUA MEMÓRIA. QUE A DEUSA OS ABENÇOE COM LUZ, BELEZA E ALEGRIA. ABENÇOADOS SEJAM! ABENÇOADOS SEJAM!
Beba o restante da sidra e, então, coloque o cálice no seu lugar no altar. Faça soar o sino três vezes, desfaça o círculo apagando as velas de cores laranja e preta, começando do leste e movendo em direção levógira. Pegue a maçã do altar e enterre-a do lado de fora para nutrir as almas dos que morreram no último ano.
O Ritual de Samhain está agora completo e deve ser seguido de meditação, divinação em bola de cristal, recital de poesia mística inspirada na Deusa e uma prece dos Bruxos pelas almas de todos os membros da família e dos amigos que passaram para o Plano Espiritual.

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COMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA:

 COMBUSTÃO HUMANA ESPONTÂNEA:
Corpos queimados sem qualquer explicação racional. Obra de psicopatas assassinos? Não. Em muitos casos, trata-se da combustão humana espontânea, um dos mais complexos fenômenos estudados pela parapsicologia.
Uma pessoa absolutamente comum encontra-se em casa, sentada na poltrona da sala de visitas, vendo televisão ou ouvindo música. Ela está tão distraída que não percebe que a parte inferior de seu corpo está em chamas. Quando o tamanho das labaredas chega a ponto de despertar sua atenção, ela tenta entender por que não está sentindo dor. Seu cérebro procura assimilar aquilo de forma racional, mas não consegue: como é possível alguém pegar fogo sem perceber ou sentir dor? Se essa pessoa tiver sorte, o fogo irá se apagar sozinho ou com a ajuda de algum pano molhado. Caso contrário, ela vai queimar até virar cinzas.
Essa cena poderia muito bem ser parte de um filme de terror ou ficção científica, mas não é! Ela ilustra o fenômeno conhecido na parapsicologia como combustão humana espontânea (ou, em inglês, SHC: spontaneous human combustion), um dos mais difíceis de ser estudado e sobre o qual muitos cientistas preferem manter silêncio.
O parapsicólogo e escritor Georges Pasch disse que a “combustão espontânea de um corpo humano consiste de uma autoinflamação seguida pela combustão mais ou menos completa, sem causa reconhecível”. A definição pode parecer um tanto vazia, mas a verdade é que pouco ou nada se sabe sobre o acontecimento — como se inicia, como termina ou por que ocorre. Ao contrário da telepatia, clarividência e outros fenômenos paranormais, ele não pode ser reproduzido em laboratório sob um rigoroso controle por parte dos cientistas. Não apenas isso, até hoje a combustão humana não pôde ser explicada por nenhuma lei conhecida da física, química ou fisiologia.

Origem Desconhecida

Até há alguns anos, as tentativas de explicar a CHE (Combustão Humana Espontânea)  buscavam ligar o fenômeno ao fato de as vítimas beberem muito álcool, o que já foi descartado: nem todas eram alcoólatras e, segundo os cientistas, antes de um corpo humano saturar-se de álcool por ingestão a pessoa morreria de outras causas.

Na verdade, a ciência sabe que o corpo humano é um péssimo combustível e não há lei natural capaz de mudar isso. Nenhuma alteração interna pode fazer com que um mau combustível transforme-se em bom. Alguns pesquisadores chegaram a tentar explicar certos casos afirmando que a vítima era fumante e havia se queimado por descuido — uma proposta simplesmente inviável sob todos os aspectos.
Para que um ser humano queime completamente, inclusive seus ossos, é necessário que ele seja exposto a uma temperatura de 1500ºC durante algumas horas. Os casos registrados variam, mas, em alguns, sabe-se que a vítima queimou em pouco tempo, talvez em minutos, sem que houvesse qualquer fonte de calor nas proximidades. Outro fato marcante é que os objetos próximos ao corpo são muito pouco afetados e, em alguns casos, não sofrem absolutamente nada — a pessoa fica reduzida a cinzas, inteira ou parcialmente, enquanto suas roupas e a cadeira em que ela se encontrava permanecem intactas. Uma possível explicação para isso é que a temperatura do fogo durante o fenômeno é muito baixa, incapaz de afetar qualquer objeto que não seja  o corpo.

Experiências:

Na década de 60 surgiu uma hipótese conhecida como Efeito Vela ou Efeito Pavio para explicar a combustão humana espontânea. Segundo ela, as roupas da vítima poderiam funcionar como um invólucro, semelhante ao que acontece com as velas. Desta maneira, durante a incineração a gordura da pessoa se derreteria, sendo retida pela roupa e fornecendo material para que o fenômeno se mantivesse por várias horas.
O dr. Dougal Drysdale, da Universidade de Edinburgo, diz que o Efeito Vela é uma boa explicação, mas que ele anularia a palavra espontânea, uma vez que a combustão seria provocada por fator externo. Para tentar comprovar essa teoria, o dr. John D. DeHaan, do Instituto Criminalista da Califórnia, EUA, resolveu realizar uma experiência utilizando a carcaça de um porco que, segundo ele, assemelha-se bastante ao ser humano em quantidade de gordura. A carcaça foi envolvida em um cobertor e, sobre ele, derramou-se gasolina para iniciar o fogo.
O resultado obtido foi o esperado: o animal queimou durante horas, produzindo chamas pequenas, mas com temperaturas que chegaram a 800 graus Celsius. Após 5 horas, os ossos estavam reduzidos a pó. Os estragos do fogo no aposento foram mínimos, como ocorre na combustão humana espontânea.
Ainda assim, segundo cientistas, a experiência não conseguiu fornecer respostas para as perguntas mais complexas, como por exemplo, a quantidade de fumaça produzida no aposento foi imensa, o que chamaria a atenção de qualquer pessoa que estivesse nas proximidades, sem falar no odor resultante da queima. Da mesma forma, seria obrigatório que em todos os casos de CHE as vítimas estivessem totalmente incapacitadas antes que seus corpos começassem a arder — uma pessoa em chamas se debateria muito, e não houve sinais disso em qualquer dos acontecimentos registrados até hoje.
Um dos aspectos mais intrigantes continua sendo o tempo de duração do fenômeno. Em vários casos, a combustão total do corpo parece ter ocorrido em questão de minutos, não em cinco horas. O próprio dr. DeHaan afirrmou que, se esse tempo for confirmado, ele não terá como sequer teorizar a respeito.

Sobreviventes:

A estranha combustão espontânea de corpos humanos até poderia ser atribuída a fatores externos, como um cigarro ou fósforo derrubados na roupa, não fossem os casos em que as vítimas sobreviveram ou aqueles presenciados por testemunhas. Estes são muito raros e pouco documentados, mas existem relatos de pessoas que viram outras repentinamente explodindo em chamas sem que houvesse qualquer fonte de ignição nas proximidades.
As vítimas que não tiveram seus corpos totalmente destruídos são testemunhas vivas do fato. Georges Pasch cita algumas que tiveram membros queimados por um fogo de chama azulada, que surgiu sem qualquer explicação e foi difícil de ser apagado. Num desses casos, um homem estava voltando para casa quando percebeu uma pequena chama na perna. Ele conseguiu apagá-la, mas a perna ficou marcada por muito tempo, enquanto que a calça não foi nem chamuscada.
A dificuldade em apagar o fogo é uma característica nos casos de chamas localizadas, como o caso de um jovem que teve as mãos cobertas por chamas azuis e que os vizinhos tentaram apagar colocando-as na água. Enquanto estavam submersas, o fogo sumia, mas tão logo eram retiradas, as chamas voltavam ao mesmo tempo em que um líquido semelhante a óleo escorria das mãos. Já foram registrados casos em que as chamas aumentaram de intensidade quando molhadas, ou passaram para a pessoa que tentava apagá-las.
Uma característica igualmente estranha do fenômeno é que, em alguns casos, a vítima sequer percebe o que está acontecendo. Testemunhas já viram gente com parte do corpo ardendo enquanto continuavam a executar suas tarefas calmamente. Esse ponto é ressaltado por alguns pesquisadores como um possível complemento aos casos em que a combustão causa a morte sem que a vítima tenha gritado e chamado a atenção de outros para o que estava acontecendo. Ou elas não sentiram dor, ou o fenômeno ocorreu de forma tão rápida que não houve tempo de reação.

Condições Astronômicas
Uma das tentativas de explicar a CHE (Combustão Humana Espontânea)busca uma relação com a atividade magnética do Sol. Alguns pesquisadores dizem que os períodos de pico da atividade magnética solar coincidem com a maioria dos casos de combustão, o que fez muitos cientistas considerarem a possibilidade do fenômeno estar ligado às estruturas magnéticas do corpo humano, algo muito pouco conhecido.
A noção tem seus adeptos, segundo os quais a força do campo magnético terrestre aumenta ou diminui de acordo com a atividade do Sol. Assim, o fenômeno seria resultado de uma enorme cadeia de fatos ligados às condições astronômicas e à possível localização da vítima que, num determinado momento, estaria em um ponto de intensa atividade magnética.

Os parapsicólogos dizem que as considerações de natureza física, química ou fisiológica não podem explicar a combustão. Alguns estudiosos do assunto chegaram a sugerir que as vítimas poderiam ser pessoas que haviam desistido de viver e, com isso, estariam realizando um ‘suicídio psíquico’, liberando de uma só vez e de forma violenta suas reservas de energia física e psíquica. Essa explicação, contudo, em nada esclarece a forma pela qual o fenômeno acontece.

Parapsicólogos modernos, como Georges Pasch, levantam a possibilidade de que, assim como existe o corpo físico, o corpo vegetativo, a mente consciente e o inconsciente, o ser humano também possui um corpo astral — que seria o responsável pela maior parte dos fenômenos paranormais, inclusive a combustão espontânea. Não é exatamente uma teoria nova, mas ela vem sendo cada vez mais citada como uma possibilidade de explicação para vários fenômenos que deixam os cientistas boquiabertos e incapazes de qualquer ação. Contudo, o modo como o fenômeno ocorre continua sendo uma pergunta em busca urgente de uma resposta.
Espera-se que alguém consiga desvendar o mistério no prazo mais curto possível, pois a autocombustão de corpos representa um dos mais complexos e aterrorizantes acontecimentos paranormais da história humana.

Fenômeno Antigo

Alguns citam exemplos de combustão humana espontânea na Bíblia, mas os parapsicólogos costumam rejeitar isso devido à impossibilidade de comprovação científica. Historicamente, a primeira tentativa de registrar a CHE de maneira séria foi em 1763, com o livro De Incendiis Corporis Humani Spontaneis, escrito pelo francês Jonas Dupont. A obra traz uma série de casos e observações sobre o fenômeno. Ao que tudo indica, a inspiração para esse trabalho veio de um caso ocorrido em 1725, quando Nicole Millet foi encontrada morta e seu marido acusado do crime. No julgamento, um médico convenceu a corte de que o corpo havia se autoincendiado, e o veredicto acabou sendo morte por intervenção divina.

No século XIX, dois livros também tocaram no assunto, ainda que de forma fictícia. Um deles foi Jacob Faithful, escrito por Captain Marryat, em 1832,  contendo detalhes de um caso de combustão humana descrito pelo jornal londrino Times. O outro, mais conhecido, foi Bleak House, de Charles Dickens, em 1852. Surgiram algumas críticas acusando Dickens de divulgar superstições, mas o escritor respondeu aos ataques citando suas fontes de pesquisa sobre combustão humana espontânea — especialmente o caso da Condessa Cornelia de Bandi, de Cesena, Itália, ocorrido em 1731 — e o de Nicole Millet.
Os casos de CHE, ainda que possam ter ocorrido com alguma freqüência desde essa época, só foram ganhar notoriedade e realmente chamar a atenção dos pesquisadores em 1951, com a combustão de Mary Reeser, de St. Petersburg, Flórida, tido como o acontecimento clássico do gênero e citado em quase todos os estudos científico

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